Quanto custa um sistema web sob medida
A pergunta que todo mundo faz
“Quanto custa fazer um sistema?” é a primeira pergunta de qualquer reunião comercial. E a resposta mais comum é “depende”. O que é verdade, mas não ajuda ninguém.
Vou abrir os números reais. Faixas de investimento baseadas nos projetos que já entreguei, com exemplos concretos. Não é tabela genérica de blog — é o que eu cobro e o que o mercado pratica pra desenvolvimento com dev sênior.
Faixas por tipo de projeto
Landing page ou site institucional
R$ 3.000 a R$ 8.000. Páginas estáticas, otimizadas pra SEO e performance. Inclui design, desenvolvimento, responsividade e deploy.
Na prática: a GPM2 (site institucional pra consultoria tributária) e o Tok Final (site pra empresa de instalação de portas) se encaixam nessa faixa. São projetos com 5-10 seções, design profissional, SEO local configurado, e Lighthouse 95+.
Prazo: 1 a 3 semanas.
O que está incluso: design das páginas, desenvolvimento em Astro (ou stack equivalente), responsividade (mobile, tablet, desktop), SEO básico (meta tags, Schema.org, sitemap), deploy na Vercel/Netlify, e uma rodada de ajustes pós-entrega.
O que não está incluso: conteúdo (texto e fotos são responsabilidade do cliente ou da agência parceira), branding/logo, e manutenção mensal.
O que faz variar dentro da faixa: quantidade de páginas, complexidade do design, se tem animações elaboradas, e se precisa de funcionalidade extra como formulário integrado com CRM.
Webapp simples (1-2 painéis, CRUD básico)
R$ 8.000 a R$ 20.000. Sistema com autenticação, cadastro, listagem, filtros e um ou dois perfis de usuário.
O Mariah (controle de encomendas com dashboard financeiro) se encaixa aqui. Um painel principal com CRUD de encomendas, controle financeiro com filtros por período, e PWA instalável no celular.
Prazo: 3 a 6 semanas.
O que está incluso: autenticação (login/registro), banco de dados modelado, interface responsiva, deploy, e documentação básica.
Exemplos de projetos nessa faixa: painel de agendamentos, sistema de controle de estoque simples, dashboard de métricas com uma fonte de dados, catálogo de produtos com área administrativa.
Webapp completo (múltiplos painéis, integrações)
R$ 20.000 a R$ 50.000. Sistema com 3+ perfis de usuário, integrações externas, relatórios, PWA.
O AutoPars se encaixa aqui. Marketplace com 3 painéis (comprador, vendedor, admin), 5 integrações (Asaas, Melhor Envio, Zapi, Resend, Cloudflare Stream), dashboard admin com métricas de GMV, e PWA pra vendedores.
Prazo: 6 a 12 semanas.
O que está incluso: tudo do webapp simples + múltiplos perfis com controle de acesso (RLS no Supabase), integrações configuradas e testadas, dashboard com métricas, PWA, e LP de captação em Astro quando necessário.
O FitPlan (plataforma pra academias com 6 painéis) tá no limite superior dessa faixa. 6 perfis de usuário, biblioteca de exercícios com vídeo, sistema de nutrição integrado, notificações de inatividade, e marketplace interno. É o tipo de projeto que uma softhouse orçaria em R$ 100k+.
SaaS MVP
R$ 25.000 a R$ 60.000. Produto mínimo viável pra validar no mercado. Inclui autenticação, billing (integração com gateway de pagamento pra cobrança recorrente), onboarding, dashboard do cliente e painel admin.
Prazo: 8 a 16 semanas.
A diferença entre webapp completo e SaaS MVP: o SaaS precisa de billing automatizado (planos, trial, upgrade, downgrade, cancelamento), onboarding guiado pra novos usuários, e infraestrutura pensada pra múltiplos clientes (multi-tenancy). São camadas de complexidade que não existem num webapp feito pra uma empresa.
Esses valores são pra dev sênior trabalhando solo ou em dupla. Agência grande cobra 2x a 3x pelo mesmo escopo por conta de estrutura operacional (escritório, time de gestão, atendimento, PM). Mais sobre as diferenças entre contratar freelancer, agência e softhouse.
O que faz o preço subir
Número de perfis de usuário
Cada perfil é um painel diferente com regras de acesso próprias. O AutoPars tem 3 (comprador, vendedor, admin). O FitPlan tem 6 (proprietário, diretoria, admin, personal, nutricionista, aluno). Cada perfil adiciona telas, lógica de permissão, e testes.
Sistema com 1 perfil: o dev constrói uma interface. Com 3 perfis: são basicamente 3 aplicações que compartilham o mesmo banco de dados. O trabalho não triplica (muito código é compartilhado), mas facilmente dobra.
Integrações externas
Cada API de terceiro adiciona complexidade real. No AutoPars foram 5 integrações. Cada uma precisou de: estudo da documentação, configuração de autenticação (tokens, OAuth, API keys), implementação dos endpoints necessários, tratamento de webhooks, tratamento de erros e edge cases, e testes em ambiente de sandbox.
Uma integração bem documentada (Resend, Stripe) leva 3-5 dias. Uma com docs ruins ou SDK desatualizado pode levar 2 semanas. E todas precisam de manutenção: APIs mudam versão, deprecam endpoints, mudam formato de resposta.
Complexidade da regra de negócio
“Sistema de agendamento” pode ser simples (data + horário + cliente) ou complexo (múltiplos profissionais com horários diferentes, bloqueio automático, recorrência semanal, lista de espera, confirmação automática por WhatsApp, reagendamento com regras de antecedência).
A tela do front parece parecida nos dois casos. O backend muda completamente. E é o backend que determina o preço.
Outro exemplo: “carrinho de compras”. Parece simples até ter cupom de desconto, frete calculado por região, split de pagamento entre vendedor e plataforma, e impostos variáveis por tipo de produto. Cada regra adicional é lógica que precisa ser implementada, testada e mantida.
Design custom vs template
Design feito do zero com identidade visual da empresa custa mais que adaptar um sistema de design existente. Os dois funcionam. A diferença é se o sistema precisa ter a cara da marca ou se funcionalidade importa mais que estética.
Pra MVP, geralmente recomendo UI com Tailwind e componentes padrão. Bonito, funcional, e rápido de implementar. Design custom fica pra v2, quando o produto já validou e faz sentido investir em identidade visual elaborada. Na prática, a diferença entre design custom e UI padrão bem aplicada pode ser de 2 a 3 semanas de trabalho — tempo que num MVP é melhor investido em funcionalidade que gera valor pro usuário.
O que faz o preço cair
Escopo enxuto
O maior impacto no preço. MVP que faz 3 coisas bem custa menos que sistema que tenta fazer 15 na primeira versão. E o MVP que valida rápido permite investir com mais segurança na versão completa.
Já tive cliente que chegou com escopo de R$ 80k. Depois de conversar sobre o que era essencial pra validar o negócio, o MVP ficou em R$ 25k. Lançou em 6 semanas, validou a hipótese, e agora tá evoluindo com dados reais.
Stack que o dev domina
Quando o desenvolvedor já tem proficiência na stack, o desenvolvimento é mais rápido. React + Supabase + TypeScript é o que uso todo dia. Cada componente que construo e cada integração que implemento é mais rápido porque já passei por isso dezenas de vezes.
Dev aprendendo tecnologia nova no seu projeto = atraso, bug, e custo escondido.
Decisões rápidas do cliente
Projeto que para 2 semanas esperando aprovação de layout custa mais que projeto com cliente que responde no mesmo dia. Não é exagero: já tive projeto de 6 semanas que levou 10 porque o cliente demorava 4-5 dias pra aprovar cada entrega semanal.
O tempo do dev é reservado pro seu projeto. Se ele fica parado esperando aprovação, o custo do tempo ocioso é real — seja porque ele cobra por hora parada, seja porque o prazo do projeto inteiro estica.
Modelo de cobrança
Trabalho com projeto fechado. O cliente sabe quanto vai pagar antes de começar. O escopo é definido em documento, os entregáveis são claros, e o preço não muda a menos que o escopo mude.
Se o escopo muda durante o desenvolvimento (e às vezes muda — negócio evolui, prioridades mudam), trato com transparência. “Essa mudança adiciona X ao projeto. Quer incluir ou deixa pro pós-lançamento?” Sem surpresa na fatura.
Modelo por hora funciona bem pra manutenção e evolução pós-lançamento. Bug fix, feature nova, ajuste de interface. Mas pra projeto do zero, preço fechado protege os dois lados: o cliente sabe quanto vai investir, e eu sei qual é o escopo que preciso entregar.
Como avaliar se o investimento vale a pena
Mais útil que perguntar “quanto custa o sistema” é perguntar “quanto custa não ter o sistema”.
Se a equipe gasta 10 horas por semana em processo manual que um sistema automatiza, são 40 horas por mês. A R$ 30/hora de custo de funcionário, são R$ 1.200/mês. Em 3-4 meses, o sistema mais simples (R$ 8k) se pagou.
Se erro de dado causa retrabalho, perda de venda ou problema com cliente, o custo é ainda mais difícil de calcular — mas é real. Webapp vs planilha detalha os sinais de que chegou a hora de migrar.
Se o concorrente tem sistema online e você ainda manda PDF pelo WhatsApp, o custo é oportunidade perdida. Cada cliente que pesquisou no Google e não te achou foi pro concorrente.
O investimento é em eficiência operacional, em como o cliente percebe seu negócio, e em poder crescer sem precisar contratar na mesma proporção. Sistema web escala sem custo proporcional: atender 50 ou 500 clientes no mesmo sistema tem custo de infraestrutura praticamente idêntico. Contratar 10 pessoas pra fazer manualmente o que o sistema faz, não.